domingo, 20 de maio de 2018

Os Mensageiros – Cap 48 – Pavor da Morte


Casa Espírita Missionários da Luz - ESDE - 16/01/2018
Estudo do livro: Os Mensageiros – André Luiz

Tema: Os Mensageiros – Cap 48 – Pavor da Morte

Objetivos:
- Identificar os benefícios da doação fluídica dos encarnados aos desencarnados sofredores;
- Identificar os benefícios da religiosidade para atenuar a perturbação da desencarnação.

Bibliografia:
- Os Mensageiros, André Luiz, Cap 48;
- LE, pergs 163 à165 (Perturbação Espiritual); perg. 941 (Temor da Morte);
- O Céu e o Inferno, 1ª parte, Cap. II, ‘Temor da Morte’;
- Diretrizes de Segurança, Raul Teixeira/Divaldo Franco, perg. 41;
- Nas Fronteiras da Loucura, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda, Capítulos 25 e 26;
- Loucura e Obsessão, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda, Capítulo 11;
- Trilhas da Libertação, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda, Cap. ‘A Luta Prossegue’;
- Qualidade na Prática Mediúnica, Projeto Manoel Philomeno de Miranda, ‘Choque Anímico’, pergs 92 à 94;
- Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda, Cap. 12 e 18;
- Recordações da Mediunidade, Yvonne Pereira, Cap. 8 'Complexos Psíquicos'


Material: apresentação PowerPoint

Desenvolvimento:

1.    Prece de abertura do estudo. 
2.    Apresentação do tema com apoio de slides.     Apresentação

Slide 1: Fluido Vital  (Cap 48)

Por que motivo se reuniam ali tantos desencarnados? Já que recebiam assistência espiritual, não poderiam congregar-se em lugares igualmente espirituais? (André Luiz)

Grande número de criaturas, porém, na passagem para cá, sentem-se possuídas de “doentia saudade do agrupamento”, como acontece, noutro plano de evolução, aos animais, quando sentem a mortal “saudade do rebanho”. Para fortalecer as possibilidades de adaptação dos desencarnados dessa ordem ao novo “habitat”, o serviço de socorro é mais eficiente, ao contacto das forças magnéticas dos irmãos que ainda se encontram envolvidos nos círculos carnais. Esta sala, em momentos como este, funciona como grande incubadora de energias psíquicas, para os serviços de aclimação de certas organizações espirituais à vida nova. (Aniceto)

O calor humano está cheio dum magnetismo de teor mais significativo, para eles. Com semelhante contacto, experimentam o despertar de forças novas. (Aniceto)

Não observou os preguiçosos, os dorminhocos e invigilantes que vieram colher benefícios nesta casa? Pois eles também deram alguma coisa de si... Deram calor magnético, irradiações vitais proveitosas aos benfeitores deste santuário doméstico, que manipulam os elementos dessa natureza, distribuindo-os em valiosas combinações fluídicas às entidades combalidas e inadaptadas. (Aniceto)
èAniceto fala dos benefícios do fluido animalizado dos encarnados para os desencarnados que são atendidos no PE. Também temos notícias da importância do choque anímico no trabalho mediúnico de atendimento.


Slide 2: Choque anímico  (Diretrizes de Segurança)

As entidades que se comunicam em estado de necessidade carecem do chamado fluido animal, ou fluido magnético animal, como afirma Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, e essa Sintonia faz com que se aprimore a assistência, facilita o serviço do bem na mediunidade, e é essa a oportunidade que os Céus concederam a nós outros, os homens da Terra, para que, ao mesmo tempo em que estejamos crescendo, cooperemos também para o crescimento dos outros, enxugando as nossas lágrimas com o mesmo lenço que enxugamos as lágrimas alheias. (perg. 41)

Slide 3: Choque anímico no atendimento mediúnico (Nas Fronteiras da Loucura)
èapós a psicofonia, o Espírito foi retirado.

— "A etapa inicial do nosso trabalho coroa-se de bênçãos... Desejávamos produzir um choque anímico em nosso irmão para colhermos resultados futuros..."    (Fala de Bezerra de Menezes, Cap. 25)
A partir daquele momento, o Espírito passou a experimentar sensações agradáveis, a que se desacostumara. O mergulho nos fluidos salutares do médium propiciou-lhe uma rápida desintoxicação, modificando-lhe, por um momento embora, a densa psicosfera em que se situava.

 O choque anímico decorrente da psicofonia controlada, debilitou-o, fazendo-o adormecer por largo período. Não era, todavia, um sono repousante, senão o desencadear das reminiscências desagradáveis impressas no inconsciente profundo, que ele vitalizava com o descontrole das paixões inferiores exacerbadas. Sonhava, naquele momento, com os acontecimentos passados, ressuscitados os clichês mentais arquivados. Aquele estado, no entanto, fora previsto pelo Mentor, ao conduzi-lo à psicofonia, de modo a produzir-lhe uma catarse inconsciente com vistas à futura liberação psicoterápica que estava programada.  (Cap 26)
èpara a equipe mediúnica pode parecer que não houve progressos na doutrinação, pois não consegue perceber o trabalho que é realizado no PE.

Slide 3: Choque anímico no atendimento mediúnico (Loucura e Obsessão, Cap 11)

Da mesma forma que, na terapia do eletrochoque, aplicada a pacientes mentais, os Espíritos que se lhes imantam recebem a carga de eletricidade, deslocando-se com certa violência de seus hospedeiros, aqui aplicamos o choque anímico, através da incorporação (psicofonia atormentada) e colhemos resultados equivalentes. (Fala de Emerenciana)
Do mesmo modo que o médium, pelo perispírito, absorve as energias dos comunicantes espirituais que, no caso de estarem em sofrimento, perturbação ou desespero, de imediato experimentam melhora, (...) por diminuir-lhe a carga vibratória prejudicial, a recíproca é verdadeira...
Trazido o Espírito rebelde ou malfazejo ao fenômeno da incorporação, o perispírito do médium transmite-lhe alta carga fluídica animal que bem comandada aturde-o, fá-lo quebrar algemas e mudar a maneira de pensar... (Fala de Emerenciana)
èo médium recebe as energias pesadas do comunicante, e ao mesmo tempo, doa fluidos a ele, que o auxilia no seu despertar.

Slide 4: Choque anímico no atendimento mediúnico (Trilhas da Libertação, Cap. ‘A Luta Prossegue’)

Quando um se comunica, mesmo que não seja convenientemente atendido, o referido choque do fluido animal produz-lhe alteração vibratória melhorando-lhe a condição psíquica e predispondo-o a próximo despertamento. No caso daqueles que tiveram desencarnação violenta — suicidas, assassinados, acidentados, em guerras — por serem portadores de altas doses de energia vital, descarregam parte delas no médium, que as absorve com pesadas cargas de mal estar, de indisposição e até mesmo de pequenos distúrbios para logo eliminá-las, beneficiando o comunicante que se sente melhor... Eis porque a mediunidade dignificada é sempre veículo de amor e caridade, porta de renovação e escada de ascensão para o seu possuidor.

èpodemos identificar alguns benefícios do fluido animal para os desencarnados:
- sensação de conforto; aclimatização, despertar de novas forças;
- (Mediúnico): contenção, diminuição da carga vibratória prejudicial (desintoxicação), aturdimento, mudança na maneira de pensar; predisposição para futura doutrinação, para próximo despertamento.

Slide 5: Pavor da Morte

O cadáver de uma jovem, de menos de trinta anos, ali jazia gelado e rígido, tendo a seu lado uma entidade masculina, em atitude de zelo. Com assombro, notei que a desencarnada estava unida aos despojos. Parecia recolhida a si mesma, sob forte impressão de terror. Cerrava as pálpebras, deliberadamente, receosa de olhar em torno.

– Ausência de preparação religiosa, meu irmão. Ela dormirá, porém, e, tão logo consiga repouso, entregá-la-emos aos seus cuidados. (Aniceto)

– Pela bondade natural do coração e pelo espontâneo cultivo da virtude, não precisará ela de provas purgatoriais. É de lamentar, contudo, não se tivesse preparado na educação religiosa dos pensamentos. Em breve, porém, ter-se-á adaptado à vida nova. Os bons não encontram obstáculos insuperáveis.
– Como vêem, a idéia da morte não serve para aliviar, curar ou edificar verdadeiramente. É  necessário difundir a idéia da vida vitoriosa. Aliás, o Evangelho já nos ensina, há muitos séculos, que Deus não é Deus de mortos e, sim, o Pai das criaturas que vivem para sempre.  (Aniceto)

Slide 6: Livro dos Espíritos (Perturbação Espiritual)

“Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram.” (Kardec, perg. 165, LE)

Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade. Donde lhes vêm esse temor, tendo elas diante de si o futuro?
“Falece-lhes fundamento para semelhante temor. Mas, que queres! se procuram persuadi-las, quando crianças, de que há um inferno e um paraíso e que mais certo é irem para o inferno, visto que também lhes disseram que o que está na Natureza constitui pecado mortal para a alma! (perg. 941)
èmuito se deve às tradições da nossa cultura!

Slide 7: O Céu e o Inferno, 1ª parte, Cap. II

A partida para esse mundo mais feliz só se faz acompanhar do lamento dos sobreviventes, como se imensa desgraça atingira os que partem; dizem-lhes eternos adeuses como se jamais devessem revê-los. Lastima-se por eles a perda dos gozos mundanos, como se não fossem encontrar maiores gozos no além-túmulo. Que desgraça, dizem, morrer tão jovem, rico e feliz, tendo a perspectiva de um futuro brilhante! A ideia de um futuro melhor apenas toca de leve o pensamento, porque não tem nele raízes. Tudo concorre, assim, para inspirar o terror da morte, em vez de infundir esperança. (item 8)

Demais, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao pensamento, onde se tornam de alguma sorte estranhas aos vivos; a própria Igreja põe entre umas e outras uma barreira insuperável, declarando rotas todas as relações e impossível qualquer comunicação. Se as almas estão no inferno, perdida é toda a esperança de as rever, a menos que lá se vá ter também; se estão entre os eleitos, vivem completamente absortas em contemplativa beatitude. Tudo isso interpõe entre mortos e vivos uma distância tal que faz supor eterna a separação, e é por isso que muitos preferem ter junto de si, embora sofrendo, os entes caros, antes que vê-los partir, ainda mesmo que para o céu. (item 9)


3.    Estudo de Caso
Convidar o grupo a um exercício de um atendimento em mesa mediúnica. Explicar que todos os presentes são a partir desse momento, participantes de uma mesa mediúnica. Todos devem se colocar em círculo mais fechado, como se estivesses ao redor de uma mesa.
Solicitar 1 voluntário para ser o coordenador do grupo. Qual deve ser a sua atuação? Deixar que respondam e aqui no exercício, deixar claro que o coordenador deverá escolher quem irá doutrinar.
Na sequência, solicitar outros 2 voluntários para serem doutrinadores.
Reforçar que os demais serão apoio à reunião.
O doutrinador deve atuar de fora do círculo, se posicionado atrás do médium em transe.
O facilitador atuará como o médium/Espírito comunicante.

Orientações ao facilitador:
No primeiro caso simplesmente relatará a situação do Espírito, para ciência do doutrinador. Independente do que o doutrinador disser, o Espírito deve permanecer em sua forma animal, sem conseguir falar.
No outro caso, o facilitador, de posse do caso relatado por Yvonne, irá falando e respondendo de acordo com a condução do doutrinador, porém o desfecho deve ser o relatado no livro. Se o diálogo for se estendendo, interromper dizendo: o Espírito se retirou.

a)            Primeiro Caso (choque anímico) – simulação de um atendimento a um Espírito que se apresenta em forma de animal. (Diálogo com as Sombras, Cap 12, caso de licantropia).

b)            Segundo Caso (desconhecimento da morte) – a mesma dinâmica, agora com o segundo voluntário. (Recordações da Mediunidade, Cap. 8 'Complexos Psíquicos').

Após as simulações. Levar o grupo às reflexões:
- qual o papel que cada um de vocês que não estava na doutrinação exerceu? O que estava em suas mentes? O que pensavam?
Realçar a sintonia e o benefício ou prejuízo que os pensamentos dos presentes podem trazer ao atendimento.

- qual foi a situação do primeiro atendimento?
Choque anímico, para auxiliar o Espírito a recuperar sua forma humana, a se expressar.
Qual a atuação do doutrinador? Acolher, induzindo-o a modificar as ondas mentais para que ele próprio possa refazer sua forma perispiritual. Reforçar que nem sempre é possível de uma só vez esse resultado. Muitas vezes, o Espírito não consegue verbalizar nada. O benefício é só o choque anímico para auxílio à sua condição.

- qual foi a situação do segundo atendimento?
Acolher o Espírito na condição mental em que se encontra e envolvê-lo para que aceite acompanhar os mentores presentes.
Nem sempre podemos dizer a verdade sobre a situação do comunicante. É preciso auxiliá-lo respeitando a sua condição.

Conduzir os comentários finais e avaliar com o grupo a atividade realizada.

4.    Prece final
5.    Anexos




Exemplos para o estudo de caso:

Diálogo com as Sombras

(cap 18, ‘O MATERIALISTA’)
A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. Alguns deles, endurecidos nas suas convicções, continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações, ainda presos aos seus interesses terrenos, perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. Geralmente desejam a volta à carne, pois somente nela se sentem relativamente felizes, não apenas pelo esquecimento de suas misérias íntimas, mas porque lhes proporciona os prazeres mais grosseiros a que se habituaram.
Em outros, o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. Quando incorporados aos médiuns, embora confusos, a princípio, acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte”, pois estão pensando e falando, vendo e sentindo, através de um corpo que, evidentemente, não é o seu. Lembram-se das doenças que tiveram, mas se recusam a admitir que “morreram”, porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam é inteiramente falso. A relutância é, ainda, vaidade. Preferem continuar negando, por algum tempo, do que admitirem, honestamente, que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior.
É preciso conduzi-los com tato e paciência. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram, poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. Temos que compreender que é difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que, a despeito da descrença em si mesmo, ele sobreviveu.
Em “Reformador” de setembro de 1975, no artigo “Lendo e Comentando”, está relatado um caso desses, tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. O Espírito, por nome Tom, vivera agarrado aos seus bens e, especialmente, ao seu ouro, e, na sua imaginação, continuava a manipular as moedas, no mundo espiritual, totalmente desligado da nova realidade que vivia. Aos poucos, vai sendo conduzido a admiti-la.

Cap. 12 ‘DEFORMAÇÕES
Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que havia sido reduzido, por métodos implacáveis de hipnose, à condição de um fauno. Estava de tal maneira preso à sua indução, que não podia falar, pois um fauno não fala. A despeito de tudo, porém, acabou falando inteligivelmente, para enorme surpresa sua. Fazendo o médium exibir suas mãos, dissera:
— Veja. Não tenho mãos, e sim cascos. (...)

Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ectoplasmáticos e, com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece, foi possível restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. (...)
Tivemos, certa ocasião, um doloroso caso de licantropia. Ao apresentar-se, incorporado no médium, o Espírito não consegue articular nenhuma palavra. Inteiramente animalizado, sabe apenas rosnar, esforçando-se por me morder. Embora o médium se mantenha sentado, ele investe contra mim, procurando atingir-me com as mãos, dobradas, como se fossem patas; de vez em quando, ameaça outro componente do grupo. (...)
Como ele não tinha condições de falar, falei eu, tentando convencê-lo de que era um ser humano, e não um animal. (...)
Falei-lhe, pois, continuamente, por longo tempo, procurando desimantá-lo, para libertá-lo do seu terrível condicionamento. Repetia-lhe que era um ser humano e não um animal; que tinha mãos, e não patas, unhas e não garras. (...)
Não podíamos esquecer, por um minuto, que ele não era um animal irracional, mas uma criatura humana, que se tornou temporariamente irracional, em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas.
Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise, não a um lobo feroz. Aparentemente, estava em estado de inconsciência total, mas, no fundo do ser, ele preserva os valores imortais do espírito, com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. (...)
Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado, uma prece comovida e alguns passes, ele começou a aquietar-se, mas ainda insistiu em atacar-me, de vez em quando. Não havia dito ainda uma palavra, mas, à medida que se acalmava, começou a reconhecer o ambiente. (...)
Insistimos nos passes, e, ao cabo de muito tempo, ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos, o rosto, o corpo, mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos, para testar. (...)


Recordações da Mediunidade, Cap. 8

Pelo ano de 1958, um parente meu, a quem nestas páginas tratarei pela inicial C, adoeceu grave­mente, declarando os médicos consultados tratar-se de úlcera do duodeno. Chamada que fui, do Estado de Minas Gerais, onde então me encontrava, a fim de auxiliar no tratamento ao doente, logo de início constatei, por minha vez, que, além da enfermidade física, muito bem diagnosticada pelos médicos, existiam ainda, na pessoa de C, as influências psíquicas deletérias de duas entidades desencarnadas sofredoras, agravando-lhe o mal, as quais eu distinguia facilmente, através da vidência, detendo-se, de preferência, no próprio aposento particular de C, uma delas com a particularidade de se deixar ver deitada no soalho, sobre uma velha esteira e um travesseiro roto e seboso, sem fronha, e coberto com uns miseráveis restos de cobertor. (...)
Tratava-se do fantasma de um homem de cor negra, regulando quarenta anos de idade, alto e corpulento, obeso, indicando enfermidade grave, pois dir-se-ia atacado de inchação geral, como quem padecesse de grandes males renais. Os pés, muito visíveis, estavam descalços e traíam inchação impressionante e a entidade se deixava ver muito pobremente trajada.  (...)
O meu parente C residia numa casa recém-adquirida, no Rio de Janeiro, casa que fora reformada pelo anterior proprietário e que por isso mesmo tomara aspecto assaz agradável. Essa casa, no entanto, fora erguida em terreno onde existira um casebre, sendo este demolido para a nova construção. (...)
Minha visão espiritual surpreendia, no local da casa, um casebre, e, em vez do jardim com suas bonitas árvores e folhagens e o piso de cerâmica e cimento, um pobre terreno em ruínas, com canteiros de hortaliças ressequidas e alguns poucos galináceos enfezados, além de utensílios imprestáveis esparsos por toda a parte. (...)
Um negro ainda moço, ou o seu Espírito, corpulento, simpático, cuidava das ervilhas com muita atenção, amarrando-as com tiras de “imbira” às estacas. Usava camisa branca andrajosa, calças escuras com muito uso e sujas de terra, chapéu de feltro velhíssimo, e tudo oferecendo visão de extrema pobreza e decadência. Pés descalços, inchados, como que atacados de elefantíase, enquanto o corpo reluzia, deformado pela inchação. (...)
Compreendi que insólita confusão se estabelecera no entendimento do pobre Espírito, o qual, se via nova casa no local da sua e a reforma geral do terreno, também continuava vivendo no seu amado casebre, o que equivale dizer que, criando ele mesmo o seu ambiente, através das recordações fixadas na mente, residia, como Espírito, entre nós outros, os moradores do prédio novo, ao passo que, se se deitava na sua velha esteira, eu o distinguia deitado no soalho do próprio quarto de dormir de C. A verdade era que, tal fora a série de sofrimentos físicos que atingira o chamado Pedro, quando homem, que, agora, traumatizadas a sua mente e respectivas vibrações, transportara para o perispírito os complexos do estado de encarnação, conservando, por isso mesmo, as aparências da antiga enfermidade e os sofrimentos outrora experimentados. (...)
Tratava-se, como se vê, de um pobre ser assaz ignorante e não propriamente mau, mas difícil de se convencer do estado anormal em que vivia, dado, realmente, a sua pequena capacidade de compreensão das coisas. (...)
Seria necessário, portanto, que eu instruísse, ou doutrinasse aquele Espírito sem promover nenhuma sessão mediúnica (...).
Mas esse serviço seria antes realizado em corpo astral, durante transes de desdobramento, e como de uso no Invisível, onde o esclarecimento individual é feito naturalmente, durante conversações amistosas (...).
Lembro-me ainda de que, da primeira vez que me defrontei com a entidade em questão, de modo a poder falar-lhe a fim de iniciar a tarefa que me fora confiada, passou-se o seguinte:
Bom dia, Pedrinho, como tem passado você? —exclamei, saudando a entidade. (...)
Bom dia, Sinhá... Vai-se indo com a graça de Deus... Não ando bom nem nada, Sinhá, como a Senhora vê, estou cada vez pior...
É, vejo que você não está muito bem mesmo, ...... E trabalhando assim... Quer que eu o ajude a amarrar as ervilhas às estacas? Você está um pouco fraco, Pedrinbo, esse serviço é penoso para uma pessoa nas suas condições... e assim você se cansará cada vez mais... (...)
Ele aceitou o oferecimento e eu me pus a ajudá-lo no trato às queridas plantas. (...)
Eu lhe falava então da misericórdia de Deus, que não desampara o sofredor que nela confia, ou da bondade de Jesus, sempre pronto a auxiliar os necessitados, assim levantando a esperança no seu coração e contando-lhe histórias educativas nas quais Jesus aparecia no esplendor da Sua vida prática entre os homens, ou seja, na ação dos seus serviços junto ao próximo. Pedrinho era qual criança, dispondo de pequena capacidade de entendimento para instruções mais amplas, incapaz de forças de penetração para outra forma de esclarecimento.
Falava-lhe das curas realizadas por Jesus nos cegos, nos paralíticos, nos leprosos, acrescentando que aquele que tais curas fizera outrora, também, certamente, estenderia sobre ele Sua mão protetora a fim de permitir-lhe a cura, de que tanto necessitava, para os seus diversos males (...).
Ah, Sinhá! Se eu vivesse no tempo dele, não é verdade que ele me curaria dessa minha doença também?
O tempo é sempre o mesmo, Pedrinho, o Divino Mestre não nos abandonou, e estou certa de que há-de curar também a sua doença... A sua cura já começou, meu irmãozinho, e dentro em breve você não sentirá mais nada do que vem sofrendo, estará fortalecido e feliz, para conquistar o futuro. (...)
Amarrávamos, como sempre, as queridas ervilhas, pois eram essas plantas que maiores cuidados exigiam do antigo horticultor, não obstante já se fazer notoria a fadiga que se ia apossando dele, levando-o ao desinteresse pela horta. Chorava enquanto trabalhava, como se as recordações das passadas angústias se aviventassem sobremodo na ocasião. Penalizada, falei-lhe:
Não chore, Pedrinho, você então não tem fé em Deus? Vamos orar, para que o Senhor nos ajude... Tudo há-de melhorar para você, tenhamos um pouquinho mais de paciência...
Sim, minha Sinhá, eu tenho fé em Deus, sim Senhora... Deus Nosso Senhor até é muito bom, na verdade — respondeu, chorando —, e não sei como agradecer tanta bondade que tenho recebido dele... (...)
Inesperadamente, apareceu entre nós a figura amável de José Evangelista, (Espírito já conhecido da médium) apresentando-se tal como se ainda fora um homem e declarando-se comprador de imóveis. Chegou-se a ‘Pedrinho, cumprimentou-o com atenção, apertando-lhe a mão, e afirmando que fora informado de que ele, Pedro, desejava vender sua propriedade. (...)
Desejo comprar, sim, um terreno por estas imediações, e, dentre alguns que sei estarem à venda, o seu é o que mais me convém, pela proximidade da Estação da Estrada de Ferro. A você, meu amigo, conviria muito o negócio. Está doente, e assim não poderá trabalhar para desenvolver sua lavourazinha, porque não tem saúde nem recursos e por isso sofre dificuldades sem fim. Venda, pois, o terreno, eu compro e pago à vista... depois trataremos da escritura... Coloque o dinheiro no Banco, vá para o hospital tratar-se... e ao restabelecer-se, deixando o hospital, terá uma quantia razoável para comprar outra propriedade maior e melhor do que esta, e tocar a lavourazinha...(...)
A pobre entidade pôs-se a rir, encantada com o amigo que o Céu lhe enviava. Pediu minha opinião para vender ou não a propriedade, já plenamente familiarizada comigo. Aprovei a proposta de José, incentivando-o a aceitá-la, pois era o melhor que tinha a fazer, compreendendo a caridosa tentativa de José Evangelista a bem de todos nós. E finalmente Pedrinho aceitou a proposta, contagiado pela persuasão do “comprador”. vi então José retirar o dinheiro da carteira e passá-lo a Pedrinho, que o recolheu febrihnente, guardando-o, ligeiro, no bolso da calça. Assisti-o a preparar-se para sair demandando o hospital, pois José prontificou-se a acompanhá-lo até lá.
Vestiu um pobre paletó de brim surrado, tal qual um homem, colocou na cabeça o chapéu seboso e tomou de uma pequena mala de mão, quase imprestável (...).
Saiu naturalmente, pela porta da rua, onde José o esperava tranqüilamente.
Parecia aturdido, sonolento, distraído. Não se despediu de mim. Compreendi então que ele se encontrava exausto e que não demoraria a se deixar vencer pelo chamado «sono reparador», fenômeno importante, que se dá com o desencarnado após o decesso físico, sem o qual este não poderá, realmente, estabilizar-se no verdadeiro estado espiritual.
Saí com ele, enlaçando-o pelos ombros e entregando-o ao novo amigo já no portão do jardim (...).
LOUCURA E OBSESSÃO (Capítulo 11):
Consideramos o médium como um ímã e os Espíritos, em determinada faixa vibratória, na condição de limalha de ferro, que lhe sofre a atração, e após se fixarem, permanecem por algum tempo com a imantação de que foram objeto. Do mesmo modo os sofredores, atraídos pela irradiação do médium, absorvem-lhe a energia fluídica, com possibilidade de demorar-se por ela impregnados. Sob essa ação, a teimosia rebelde, a ostensiva maldade e o contínuo ódio diminuem, permitindo que o receio se lhes instale no sentimento, tornando-os maleáveis às orientações e mais acessíveis à condução para o bem. (Emerenciana)

TRILHAS DA LIBERTAÇÃO (Capítulo: A Luta Prossegue); Na comunicação física (o corpo do médium como veículo) o perispírito do médium encarnado absorve parte dessa energia cristalizada, diminuindo-a no Espírito, e ele, por sua vez, receberá um choque do fluido animal do instrumento, que tem a finalidade de abalar as camadas sucessivas das ideias absorvidas e nele condensadas.

A incorporação, em face da imantação magnética de ambos perispíritos, impede o paciente (Espírito) de fugir ao esclarecimento, nele produzindo uma forma de controle que não pode evitar com facilidade.

Qualidade na Prática Mediúnica – ‘Choque Anímico’
 93. À luz do que vimos sobre o choque anímico e sabendo-se que este fenômeno representa a contribuição terapêutica do médium de transe, quais os parâmetros de qualidade que podem ser estabelecidos para avaliar a sua eficiência?

Primeiro: a constatação de alívio dos sofrimentos dos Espíritos que sofrem dores (físicas ou morais) e outros que se apresentam depauperados, abatidos. A incorporação para esses funciona à semelhança de um tônico, uma transfusão de sangue como se o médium, no transe, ao receber o Espírito, estivesse a lhe aplicar um passe restaurador de forças.

Segundo: a contenção do Espírito para o diálogo. Alguns sentem prazer nesse diálogo, pois as energias do médium acordam neles impressões boas a que se tinham desacostumado, expandindo sentidos embotados (visão, audição, tato) e em contato com essas impressões deslumbram-se, renovam-se.

Uma variante desse comportamento são aqueles Espíritos que vêm impregnados da ambiência onde se encontravam (hospitais, lares, cenas de acidentes) e em contato com a energia do médium, que lhes acorda os sentidos, percebem que estão na sala mediúnica e quebram a fixação mental que promovia o sofrimento. Ao contrário, outros desejam se evadir do diálogo incômodo, mal suportando o remédio amargo que lhes vai ajudar. Em ambos os casos a imantação forte que o perispírito do médium exerce sobre o Espírito garante a sua permanência até quando julgado necessário pelos Mentores ou pelo controle consciente do médium.

 Um outro importante padrão de qualidade: sensações físicas desagradáveis no Espírito; asfixia, angústia acompanhada de receios, medo, abrandamento de ímpetos violentos etc. Ocorrências desse tipo são comuns nas comunicações de Espíritos em situação de desrespeito à reunião, revoltados, cínicos e, sobretudo os interessados em prejudicar os equipamentos mediúnicos do sensitivo por retaliação ao fato de estarem sendo trazidos compulsoriamente à comunicação.

As energias densas do perispírito do médium, já quase na faixa da matéria, são acionadas sob o comando sugestivo do Mentor Espiritual ou do doutrinador até encharcar o perispírito do comunicante e abater-lhe o impulso agressivo. Alguns Espíritos "acovardam-se", gemem, imploram clemência, porém outros, já na faixa quase da loucura, suportam, até o fim de suas reservas, o choque anímico, saindo da comunicação quase que em estado de desvario, dominados por monoideias, como foram programados para reagir, hipnotizados por Espíritos mais endurecidos do que eles.

Por fim: o retorno do Espírito para um novo diálogo em situação de maior lucidez. Como o choque anímico tem um efeito retardado à semelhança de alguns medicamentos cujos benefícios só aparecem no organismo depois, somente numa sessão posterior o doutrinador pode constatar-lhe os resultados. Algumas vezes, o Espírito sai do contato magnético do médium com a única intenção de voltar ao seu hospedeiro, sua vítima, o que, algumas vezes consegue. Em outros casos o resultado é diferente: como um balão esvaziado, tomba exânime, dorme e sonha; faz uma catarse do inconsciente, ao cabo da qual passa a assumir um comportamento íntimo controvertido e paradoxal: revolta-se contra a interferência, mas, ao mesmo tempo, reflexões novas trazendo argumentos e ideias que lhe alcançaram antes associam-se à constatação do poder de Deus e das forças do Bem, muito superiores às suas e às de seus áulicos.
 Nesse conflito é trazido para uma nova incorporação mediúnica, um novo choque fluídico ao qual tende a se apresentar mais lúcido, conciliador...

Concluídos estes comentários sobre choque anímico podemos dizer ainda que esta terapia, essencialmente do médium, é a base e o pano de fundo sobre os quais todas as demais, de iniciativa do doutrinador, se estabelecerão. É por essa razão que afirma André Luiz, Espírito, que o médium é o primeiro socorrista (não o primeiro doutrinador como afirmam equivocadamente alguns).

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